nem todos os seres frutificam no asfalto (2025)
Este ensaio integra a série desejo de para sempre e investiga manifestações do desejo e da pulsão de vida para além da (aparente) morte. O trabalho parte do uso de fotografias vernaculares adotadas, coletadas no ACHO — Arquivo Coleção de Histórias Ordinárias, construído junto a catadores de materiais recicláveis — e reconfiguradas por meio de gestos manuais de desenho digital. Linhas infantis, cores vibrantes e símbolos simples intervêm nas imagens de arquivo para narrar um ciclo vital no qual existências humanas e vegetais se confundem.
Inspirado pelas bio-urnas que transformam cinzas humanas em árvores, o ensaio imagina a morte não como apagamento, mas como transformação ecológica. As figuras tornam-se pessoas-árvores: crescem, desejam, escolhem, se vinculam, se rompem, são enterradas e retornam em brotos. Corpos se dissolvem na paisagem; a perda torna-se solo. A narrativa visual se organiza como fábula, onde vida e morte operam como forças contínuas e interdependentes.
Ao reutilizar imagens descartadas e fundir fotografia e desenho precário, o trabalho propõe o reaproveitamento como gesto ecológico e político. Em oposição a narrativas que associam a morte ao medo, ao controle e ao desperdício, o ensaio afirma a morte como continuidade material — regeneração e vida compartilhada para além do humano. O desenho, acionado como memória da infância e saber anterior à linguagem, não representa: germina, como plantas que crescem nas frestas do concreto. Mesmo no subsolo, o sol insiste em brilhar.
Técnica: Instalação fotográfica.
Dimensões: Fotografia digital impressa em papel-algodão em tamanhos variados (40x40, 30x40, 40x60cm)











