as coisas restarão para apagar as luzes do mundo (2020 -)

Trabalho composto por fotografias e objetos de família, resgatados numa ação ético-estética de esvaziamento de um apartamento abandonado há mais de 20 anos. A investigação encontra-se em andamento desde 2020 e propõe refletir sobre vida, morte, sobre o caráter falho e transitório da existência humana e também sobre animismo, partindo da narrativa como se a história de vida humana fosse contada a partir do olhar das coisas, não meros objetos atrelados à funcionalidade, mas coisas-livres no mundo, acontecimentos, na concepção do antropólogo Tim Ingold. Calcado em premissas de que 'Coisa pensa'. Coisa se move. Coisa deseja.', o trabalho propõe enxergar o mundo pela ótica das coisas como protagonistas da história, como únicas testemunhas que restarão na superfície de nossa existência - as coisas restarão, nós não. Para tanto, propõe uma série de instalações híbridas entre coisas e fotografia, trazendo o espectador para a posição de coadjuvante, reforçando a percepção de inversão do protagonismo entre humanos e coisas, que transpiram, resistem e nos olham.

 

Trabalho desenvolvido na residência junto ao Arquivo Coleções de Histórias Ordinárias (ACHO), em 2020-2021.